Por que São José dos Campos está sem próteses e cadeira de rodas?

prótese na perna, órtese de mão e cadeira de rodas
Fila de prótese e cadeiras de rodas aumenta em São José dos Campos.

Conseguir próteses e cadeiras de rodas é digno de uma comemoração como a de uma conquista olímpica, ou melhor, paralímpica. Revelada pela TV Vanguarda na sexta-feira, 2, a informação de que mais de 100 pessoas estão na fila para uma prótese, órtese ou cadeira de rodas em São José dos Campos é o retrato de situação criada há no mínimo dois anos.

Desde 2011, quando chegou à cidade, a rede de reabilitação Lucy Montoro era a responsável por fazer a dispensação desses materiais no lugar do município. Mas desde maio do ano passado, a Secretaria de Saúde de São José precisou reassumir o serviço.

Isso ocorreu porque um decreto estadual de dezembro de 2014 redefiniu, entre outros critérios, a forma de fornecimento desses materiais pela instituição. Nele, passou a concedê-los apenas aos pacientes das unidades, não se estendendo aos demais.

O blog Reflexão Sobre Rodas questionou a assessoria de imprensa do ex-prefeito Carinhos Almeida (PT) por que não foi tomada nenhuma providencia quando   se tomou conhecimento das novas regras. De acordo com a equipe do petista, nenhuma secretaria de saúde da Região Metropolitana do Vale do Paraíba aceitou a decisão do estado.

Ainda segundo a equipe de Carlinhos Almeida, foi encaminhada uma proposta ao governo do estado pedindo que o Lucy Montoro zerasse a demanda geral criada dentro do centro, mas até o fim da gestão deles, não houve resposta. “Isso foi alertado durante a transição de governo” [ao novo prefeito, Felício Ramuth (PSDB)], finalizou a nota.

Já a Secretaria Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência de São Paulo, uma das gestoras da rede de reabilitação, reafirmou que “a missão das unidades da Rede Lucy Montoro é realizar o atendimento de reabilitação física. As ajudas técnicas são dispensadas apenas aos pacientes que estão em programa de reabilitação”.  Nos casos de manutenção ou troca, o paciente deve procurar a Prefeitura.

Intransigentes, pois um não tomou nenhuma providencia logo que soube da situação e o outro por não nem sequer responder a contraproposta, ambos deixaram a fila só crescer e virar reportagem na televisão.

Vale lembrar que a atual gestão da Prefeitura de São José dos Campos disse à  TV Vanguarda que já contratou pessoal para fazer a análise das solicitações existentes. Mas vai precisar de parcerias com o estado e o governo federal, para comprar os equipamentos prescritos e isso leva tempo.

Deixe um comentário