A altura social do cadeirante

A altura social do cadeirante

Você já parou para pensar que um cadeirante tem a altura social e a biológica? A última é aquela que todos possuem, é a que o médico mede. Já quem usa cadeira de rodas tem também a altura que existe pelo fato de estar sentado o tempo todo.

Isso causa diversos problemas de acessibilidade porque muitas estruturas são pensadas para pessoas que conseguem ficar em pé.

Imagine só a seguinte situação. Uma pessoa em cadeira de rodas tenta pagar o ticket de estacionamento no atendimento automático. Ela coloca o cartão na maquinha e, de cara, já percebe que não vai visualizar o teclado de forma clara.

Logo em seguida nota que para iniciar a operação precisa tocar em botão a tela principal do equipamento. Ela tenta, mas nem esticando completamente o braço alcança o comando. Enquanto isso, uma fila imensa se forma atrás da cadeira de rodas. Com um esforço que deixa a pessoa quase em pé por microssegundos, ela clica no botão e quase desmonta feito um saco de batata.

Na hora de digitar a senha, a meta é acertar os dígitos pela lembrança da posição das teclas, porque ver, a pessoa não vai conseguir. Isso sem contar que antes é preciso ter sorte para escolher a opção de pagamento.

Outro momento em que a altura social dada pela cadeira de rodas faz muita diferença é quando o cadeirante vai em falar com alguém que está em pé. Em 99% das vezes quem está sentado fica olhando para cima durante conversa.

Na balada ou andando pelo parque, a pessoa que está na cadeira de rodas vê uma outra que lhe chama a atenção. Então, ela busca uma maneira de iniciar aquela conversa. Mas já percebe que o olho no olho fica um pouco prejudicado.

Para sair um beijo, por exemplo, que não dá para ser “roubado”, tenta esticar a cabeça para alcançar a boca da outra pessoa. Assim, o clima pode ir para o espaço ou então levar muito mais tempo. Por isso, a conversa tem que ser bastante assertiva para atingir o objetivo.Mas aí você deve estar se perguntando: esse problema não tem solução? Muito pelo contrário, há soluções de acessibilidade arquitetônica e de atitude.

A Norma Técnica da ABNT NBR 9050/2015, que trata de orientações para acessibilidade arquitetônica, mostra como devem ser planejados os equipamentos e espaços para um cadeirante poder usar.

Mas basicamente, no caso do totem, dá muito bem para a tela de atendimento, assim como a máquina de cartão estar mais para baixo. Em torno de 1,20m e 80cm respectivamente.

Para se ter uma ideia, se o totem fosse desse jeito, o tempo para pagar o ticket seria muito menor e sem causar congestionamento para o atendimento que teria de ser prático.

Já na paquera, se a outra pessoa também puder ficar sentada, o cara a cara fica bem mais fácil. É obvio que para isso, ela também precisa estar interessada. A partir daí tudo fica mais iguais.

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