Pesquisa revela como a cidade de São Paulo vê as pessoas com deficiência no seu dia-dia

Você encontra pessoas com deficiência no seu dia-dia? Essa foi a principal pergunta da pesquisa da rede Nossa São Paulo em parceria com o IBOPE inteligência. O resultado foi divulgado na semana passada. O Reflexão Sobre Rodas traz alguns pontos relevantes nesta publicação.

De acordo com o levantamento realizado entre os dias 15 de agosto e 3 de setembro de 2018, apenas 16% possuem ou convivem com alguém com deficiência. Os dados obtidos referentes a na cidade de São Paulo, entre moradores acima de 15 anos.

Entretanto, dois a cada três habitantes  percebem sempre ou às vezes as pessoas com deficiência utilizando o transporte público na cidade. Esta percepção é maior entre as mulheres, entre pessoas que têm de 35 e 54 anos e as que possuem ensino superior. Dentre os critérios de renda, a percepção é maior entre pessoas que recebem mais de dois salários mínimos.

Os hospitais e postos de saúde são os locais que mais propiciam ao paulistano o contato com as pessoas com deficiência. De acordo com o levantamento, o perfil de quem respondeu dessa forma é: pobres (43%), as mulheres (40%) e as pessoas entre 25 e 34 anos (39%).

Como é a acessibilidade das pessoas com deficiência no seu dia-dia?

No aspecto da acessibilidade, as estações de trem e metrô apresentam a melhor avaliação, enquanto as calçadas e ruas, a pior. Entre as pessoas com deficiência, 43% definiram as estações de trem e metrô como as melhores em condições de acessibilidade. Enquanto 65% do mesmo público apontou as ruas e calçadas como o pior local de acessibilidade na cidade de São Paulo.

Ainda sobre acessibilidade, a adaptação de calçadas, semáforos, paradas pontos e terminais de ônibus é a principal medida para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência.

Considerando apenas as pessoas que possuem ou convivem com alguém com deficiência, a criação de escolas especiais para receber alunos adolescentes e crianças com deficiência seria o principal ponto a melhorar.

Entretanto, a pesquisa destaca que os resultados obtidos neste público indicam que não há uma medida exclusiva. Um conjunto de medidas que ajudaria a melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência.

Preconceito e discriminação contras as pessoas com deficiência no seu dia-dia

A pesquisa da rede Nossa São Paulo e do IBOPE inteligência aponta que o principal local onde se presencia o preconceito contra as pessoas com deficiência é no transporte público, em geral 29%.

Contudo, entre as pessoas que possuem ou convivem com alguém com deficiência, 58% já presenciaram ou sofreram algum tipo de preconceito no transporte público.

Em contrapartida, no ambiente de trabalho, 64% das pessoas que convivem ou possuem deficiência disseram que não sofrem ou presenciam algum tipo de preconceito.

A pesquisa aponta ainda algumas conclusões. Ela afirma que a maioria dos paulistanos diz que se percebe com certa frequência as pessoas com deficiência no transporte público. É neste ambiente e nos demais espaços públicos que as pessoas com deficiência ou aquelas que convivem sofrem mais preconceito ou presenciam essas situações.

Neste contexto, segundo os pesquisadores, fica clara a diferença entre a percepção da cidade em termos de acessibilidade. Já as pessoas com deficiência ou aqueles que convivem com elas têm olhar mais crítico. Mas ainda são os que avaliam  de maneira positiva as estruturas das estações em relação aos paulistanos em geral.

Conforme o levantamento, há também diferença a respeito das prioridades a serem consideradas pelo poder público para melhorar a vida das pessoas com deficiência na cidade de São Paulo.

Enquanto o paulistano em geral opta pela adequação de equipamentos urbanos, as pessoas com deficiência e as que convivem com elas consideram a adoção de um conjunto de medidas reforçando a lacuna das ações voltadas a esse público.

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