Vacina e deficiência física

Nesta semana, o Ministério da Saúde iniciou a campanha de vacinação de combate à poliomielite e ao sarampo. A ofensiva a essas doenças, que segue até o fim do mês, ocorre depois da identificação de casos após décadas de erradicação.

Uma dessas vacinas é a sabin, responsável por combater a poliomielite, que era muito comum durante várias décadas até parte do século 20. Ela  foi uma das principais deficiências da época, além de causar a morte em situações mais graves.

Conhecida também como paralisia infantil, a poliomielite ocorre ainda em crianças ou adultos que tiveram contato com fezes ou secreções da boca de pessoas contaminadas pelo polivirus.

Elisabete Araki, psicóloga aposentada da prefeitura de São Paulo, contraiu a poliomielite ainda quando criança e não havia a vacina disponível no Brasil. “No dia 21 de abril de 1958 tive febre muito alta. Quando a febre cedeu, minha mãe percebeu que eu mal parava sentada. Já andava na época, e diante desse quadro de fraqueza ela me levou ao HC (Hospital das Clínicas) onde fiquei internada vários dias. O diagnóstico pólio. Fiquei com sequelas nas duas pernas”, conta Elisabete.

De acordo com o site do médico Dráuzio Varella, a medula espinhal é onde o vírus mais age, mas as infecções começam na garganta e no intestino, espalhando-se pelo sangue. A sequela mais marcante é atrofia dos membros, o que dificulta ou impossibilita andar ou realizar atividades manuais.

Mas afinal de contas, por que a vacinação contra doenças como a poliomielite está diminuindo? O próprio portal do Ministério da Saúde aponta algumas justificativas. De acordo com o material da assessoria de imprensa, isso está acontecendo por conta do sucesso das campanhas durante décadas.

Mas o que realente assusta é “desconhecimento individual de doenças já eliminadas; horários de funcionamento das unidades de saúde incompatíveis com as novas rotinas da população; circulação de notícias falsas na internet e Whats App causando dúvidas sobre a segurança e eficácia das vacinas; bem como a inadequada alimentação dos sistemas de informação”, diz a publicação oficial.

Argumentos políticos? Certamente, mas não deixam de ter razão. A desinformação ocorre porque muita gente nunca precisou se preocupar com isso (até hoje). Como a doença estava erradicada, a maioria das pessoas mal ouviu falar na poliomielite, no máximo, alguém bem mais velho, que nem sabe direito o que aconteceu.

Vocês, que acompanham o Reflexão Sobre Rodas, já puderam ler que, apesar de falarmos a respeito de deficiência, queremos com todas as forças, preveni-las, pois todas causam um impacto enorme na vida de quem as adquire.

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