A autonomia invisível

Cadeira de rodas sobre uma faixa de pedestre e em frente a uma calçada sem a guia rebaixada, que não dá autonomia

A principal motivação do Reflexão Sobre Rodas é a busca pela autonomia das pessoas com deficiência. Desde 2009, o blog propõe assuntos e discussões que evidenciam ou questionam exemplos e caminhos com o objetivo de gerar mais autonomia.

Você está andando por aí e encontra alguém em uma cadeira de rodas que precisa de ajuda para atravessar uma rua, pois em um dos lados a guia da calçada não está rebaixada. Ou então, um cego que necessita ser guiado por uma outra pessoa para não encontrar com um poste no meio do seu caminho.

Pois bem, você já pode ter notado que é muito comum associar as pessoas com deficiência, de maneira geral, à dependência de outras sem a mesma debilidade para suprir a tal necessidade. Quando, na verdade, o raciocínio deve seguir outro caminho: a autonomia.

Se você for procurar no dicionário, o Michaelis diz que essa palavra significa ter a “capacidade de autogovernar-se, de dirigir-se por suas próprias leis ou vontade própria; soberania”.

Desta forma, em vez de ter um ajudante para atravessar a rua, o próprio cadeirante poderia fazer o caminho sozinho, se ambas as guias estiverem rebaixadas, de acordo com as normas técnicas. No caso do cego, quando a calçada possui o piso tátil, sem nenhuma barreira no trajeto, a companhia é opcional.

Ainda conforme o Michaelis, a autonomia é a “liberdade moral ou intelectual do indivíduo; independência pessoal; direito de tomar decisões livremente”. Apesar de ser abstrata, essa definição implica em compreender que as pessoas com deficiência têm o direito de tomar as decisões para a própria vida.

Muitas vezes, é cômodo que outras pessoas tomem decisões ou façam algo por nós, sem ao menos darmos uma pequena opinião, mas qual é a liberdade que temos diante disso? É certo também que não somos seres humanos únicos no mundo e ouvir o outro, em um momento de dúvida, pode nos ajudar a seguir por determinado caminho, porém, a decisão final é de cada um.

Convenção e LBI pedem ações de autonomia

Com o surgimento da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, o conceito de autonomia atribui à sociedade civil e governos de todas as esferas a responsabilidade de promover, de acordo com cada competência, ações que proporcionem um ambiente de autonomia para todos, independentemente da deficiência.

Neste mesmo sentido, a Lei Brasileira da Inclusão, também conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, tem a promoção da autonomia no foco principal. Nesta legislação, inclusive, são indicados os princípios de adaptações razoáveis, que são capazes de, com pequenas e simples mudanças no ambiente de uma casa ou local de trabalho, fazer muita diferença na autonomia cotidiana das pessoas com deficiência.

Entretanto, somente quando os conceitos e determinações são colocados em prática e demonstrados em atitudes é que o direito de autonomia para fazer as próprias escolhas, realmente poderá ser respeitado e assim deixar de ser invisível.

 

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