Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil: o polêmico tema da redação do Enem 2017 

Comentei esses dias, em um tom de brincadeira com o também jornalista José Ismar Petrola, que tem deficiência auditiva, que escolhi a audiodescrição, modalidade direcionada a pessoas com deficiência visual, como objeto de pesquisa na minha especialização em gestão de conteúdo muito por conta do duelo que existe entre as vertentes dos grupos de deficiência auditiva.

Aí vem o Ministério da Educação no domingo (5) e coloca como tema da redação do Enem 2017 (Exame Nacional do Ensino Médio): “Desafios para a formação educacional do surdo no Brasil”. Resultado: surgiram as mais diversas opiniões nas mídias sociais e nos portais de notícias.

Em primeiro lugar, os professores em geral afirmando que o tema era bem específico, diferente do que costuma ser, mas como disse o pesquisador de acessibilidade comunicativa, Marco Bonito, falou outra vez de Direitos Humanos. Entretanto, também expõem as fragilidades de situações previstas em legislações nos últimos tempos.

Sinalizados vs Oralizados: um duelo sem fim?

Entre os especialistas da área da inclusão, uns disseram que a proposta focou no uso da Língua Brasileira de Sinais (Libras), que foi citada no trecho da Lei Brasileira da Inclusão e em um texto que trata da Escola de Surdos. Mas não deixou de citar o ensino bilíngue como uma das modalidades de ensino prevista na LBI.. Sim, essa discussão é longa e complexa.

Em todos os grupos de deficiências, existem as ramificações e no caso da auditiva, há quem defenda o ensino de Libras (aí há que se dizer que é necessário treinar constantemente também os ouvintes), outro o bilíngue, tendo a de sinais como principal língua e o a portuguesa como um complemento. Isso é o que está na LBI

Um terceiro grupo, composto, em geral, por pessoas com deficiência auditiva que aprenderam a utilizar a escrita e a leitura labial, que defende a livre escolha para se aprender o que preferir. Sei que aqui mexo em um vespeiro, pois todos têm convicção de seus argumentos.

Por mais diverso que sejam e ainda encarados com muitos lugares-comuns, é para lá de interessante e importante que temas relacionados ao universo das pessoas com deficiência estejam presentes em espaços de discussão de grande repercussão, como é a redação do Enem.

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