10 situações que as pessoas com deficiência passam sem necessidade

O blog Reflexão sobre rodas traz uma lista de 10 situações que as pessoas com deficiência passam sem necessidade. Elas mostram como a inclusão depende completamente de atitudes individuais ou coletivas, mais do que leis. Acesso à educação, trabalho e lazer vão além de parafernálias, está no comportamento diário.      

Ser considerado inteligente ter por qualquer nível de estudo

Está certo que o IBGE, no Censo 2010, mostra que poucas pessoas com deficiência têm acesso ao ensino superior, mas a cada ano, o número de alunos e profissionais qualificados com deficiência é maior. Portanto, estudar é sinônimo de inclusão social e não de inteligência. 

Ter um emprego e não necessariamente um trabalho 

Não é raro um candidato com deficiência ser contratado por meio da Lei de Cotas e quando começa a trabalhar, não tem uma atividade definida, faz pequenos serviços, mas sem estabelecer um grau de responsabilidade sobre eles. Assim, se tornando apenas mais um número, sem uma preparação da empresa ou de suas lideranças para reconhecer e confiar realmente um trabalho ao contratado. 

Com a desculpa de o local ser reservado, ficar longe dos amigos com quem saiu para se divertir

A inclusão social, seja qual for, implica em estar junto, em fazer parte. Em alguns momentos, o espaço reservado separa a pessoa com deficiência de um grupo de amigos, por exemplo, em um show. Obviamente que quando a segurança pode ser ameaçada, o espaço em questão garante a integridade da pessoa com deficiência.  

Ter que ficar na parte de baixo da balada, porque em cima só se chega pela escada  

Underground deve ser um estilo de vida e não uma condição imposta pela deficiência. Apesar dos locais serem obrigados pela lei a serem acessíveis, muitos alegam que não se adaptam integralmente, pois não recebem público com deficiência. Não seria o contrário? As pessoas com deficiência não frequentam esses locais por simplesmente não conseguirem entrar. 

Parecer um fantasma quando alguém pergunta a outra pessoa sobre você, que está ali do lado

É para lá de desconfortável se sentir um fantasma no meio de uma conversa, não é? Mas ainda é bem comum encontrar pessoas que não falam diretamente com alguém com deficiência, sobretudo as motoras e múltiplas, por achar que ela não vai responder ou mesmo compreender. Pois é, mesmo em 2017, isso ainda acontece. 

Se identificar pela deficiência em vez da profissão ou qualquer outro gosto

Não dá para negar que o nome do Reflexão Sobre Rodas tem tudo a ver com o fato de eu andar na cadeira de rodas, além da deficiência ajudar e muito a me identificar. Entretanto, corre-se o risco muito grande de criar um estereótipo pejorativo. Isso também desvaloriza todo o desenvolvimento profissional e pessoal de alguém com deficiência. 

Namorar ou se relacionar apenas com quem também tem deficiência, de preferência, a mesma

Uma das desnecessidades que mais me incomoda é quando ouço alguém falar que uma pessoa com deficiência só pode ter um relacionamento amoroso com outra com a mesma deficiência. Isso, mais uma vez, pode ser opcional e não condicional. O sentimento é acima de tudo o mais importante nesses casos, independentemente da deficiência. A forma com que duas pessoas vão se relacionar compete apenas a elas saberem. 

Não ter filhos por conta da deficiência, por não ter condições de cuidar deles

Da mesma maneira que disse na situação anterior, a decisão de ter filhos é exclusiva do casal que tem pelo menos uma pessoa com deficiência. O direito ao planejamento familiar é de todo casal, inclusive da pessoa com deficiência. E isso é inviolável e garantido pela Lei Brasileira da Inclusão.  

Ser considerado especial por conta da deficiência 

Por falar em família, é muito importante ser especial para alguém, então, ser especial é algo que vem de sentimento e não pela condição da deficiência. Aliás, essa expressão surgiu quando foram criadas as iniciativas de “educação especial”, na década de 1980. Mas atualmente o assunto é chamado de “educação especializada”, onde os professores adotam procedimentos e ferramentas que minimizam as diferenças durante a aprendizagem. 

Ter que fazer o Reflexão Sobre Rodas falando da inclusão da pessoa com deficiência 

Quando resolvi direcionar o meu blog pessoal para tratar da inclusão das pessoas com deficiência foi porque encontrei diversos temas, como esses relacionados acima, que precisavam ser debatidos e discutidos por meios de comunicação, especializados ou não. Se não visse essa necessidade, eu poderia escrever a respeito de futebol e política em geral, igual a outros jornalistas.

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