Uma reflexão sobre o jornalismo e a deficiência

Quando coloquei na minha cabeça que queria fazer jornalismo, lá pelos meus 14 anos, eu não fazia ideia de que eu iria enveredar para o caminho da deficiência. Como escrevi no meu perfil no blog, a intenção era ser jornalista esportivo, ou melhor, de futebol para falar mal dos pernas de pau.

Mas, hoje, nove anos depois de formado, não me imagino sem dar as minhas cornetadas nos inúmeros assuntos que envolvem o mundo comportamental e politico das pessoas com deficiência. De vez em quando, me meto a comentar as aventuras e desventuras de colegas sobre o tema nos meios de comunicação em que atuam.

Sinto que, como disse o Jairo Marques na entrevista a respeito do livro dele na semana passada aqui para o blog Reflexão Sobre Rodas, as informações em relação à deficiência estão cada vez mais democrática. O que é ótimo de verdade.

Entretanto, ainda encontro abordagens descontextualizadas e sobrenaturais dos feitos cotidianos de personagens com deficiência, principalmente na televisão. Muitas vezes, dá vontade de sair gritando: “Não faz assim, colega!”, quando os relatos ganham ares de superação e emoção sem a mínima necessidade editorial.

Não sei sé é por audiência, por receios ou por percepções equivocadas, mas parte dos jornalistas prefere continuar nessa toada totalmente sem sentido. Mas acredito que todos vão tratar os assuntos com mais naturalidade e seriedade merecidas.

Percebo que, nesse tempo, os grandes veículos têm evitado aquelas expressões esdruxulas e consideradas pejorativas das décadas passadas. Elas já têm adotado o recomendado pela Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência e as novas legislações.

Ainda não desisti de ser apenas um jornalista esportivo ou de política, mas sem me esquecer do que tenho o dever social que tenho de dar voz a essa parcela significativa da população brasileira e mundial da qual faço parte.

Desejo aos amigos e colegas jornalistas neste 7 de abril, um feliz dia a todos nós. Grande abraço.

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