Uma brincadeira de adolescente nos anos 90

Toda criança e adolescente, com ou sem deficiência, tem a necessidade de pertencer e ser aceito pro algum grupo da mesma faixa etária. Na adolescência uma das brincadeiras que pessoal fazia sempre na escola – quando o professor não estava, claro – nos anos 90 era a de “verdade ou desafio”. Aliás, como que se joga isso hoje se todos estão de olho apenas no celular?

Mas eu nunca entendia bem porque eu não participava delas e também não perguntava. De certa forma, me sentia meio “café com leite“ – aquele que é nem uma coisa, nem outra –nessas horas. Me questionava internamente se tinha algo a ver com a minha deficiência ou se era apenas por meu comportamento um pouco mais “sério” de encarar as coisas.

Na maioria das vezes, quando eu percebia que eu não ia ser chamado para fazer parte dessas brincadeiras, eu já saia logo de cena e procurava algo que julgava mais interessante para fazer, porém reconheço hoje que aquilo me incomodava bastante.

Apesar de me considerar sociável, não era de fazer o povo cair na gargalhada contando piadas, muito menos tocar um instrumento musical (continuo sem saber) para juntar um monte de gente em volta de mim. Sempre encarei que estava na escola para estudar. Será que foi isso?

Bem, nessa época não gostava de admitir que a deficiência interferisse de algum modo nas relações com meus amigos e colegas de classe. Aliás, eu nem fazia questão de me lembrar que eu estava sobre uma cadeira de rodas.

Porém, por isso, hoje tenho dúvidas se isso fez diferença ou não na minha forma de encarar os relacionamentos de maneira geral. Mas sinto falta de ter vivenciado, não só da arquibancada alguns momentos da adolescência.

Não dá para voltar no tempo e nem ficar resmungando por conta disso. Contudo, recomendo a possíveis adolescentes que leem este blog, não sejam meros expectadores dessa fase da vida. Até porque tem um achocolatado que tem energia que dá gosto.

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