Militantes de causa própria?

Foto: Kica Castro

Apesar de ter deficiência física desde que nasci, só me interessar pela militância da pessoa com deficiência  a partir do momento que senti a necessidade de escrever sobre o tema em março de 2009.

Mas a história da militância tem como marco 1981, quando a ONU estabeleceu que o Dia Internacional de luta das pessoas com deficiência. Nessas mais de três décadas e meia, o olhar para este segmento passou por diversas etapas, isso, sem levar em consideração as fases históricas que os livros contam mesmo que por cima.

O discurso atual do segmento, ou pelo menos boa  parte dele, prega a universalização das diversidades, seja na acessibilidade, no comportamento, na educação, nas oportunidades de emprego entre outros pilares.

Nos eventos e discussões que participei, aprendi a separar o bíblico joio do trigo. Quem fala por falar de quem luta de verdade, de quem tem um projeto de universalização de quem quer que apenas a sua deficiência seja evidenciada.

Neste quesito, aliás, percebe-se que há um grande número de militantes que olha apenas para o seu umbigo. Nessa discussão, todos têm o direito, para não dizer dever,de apresentar suas ideias, mas sem desconsiderar as necessidades e o ponto de vista dos outros.

A partir do memento em que se foca em determinado aspecto em detrimento de outro, todo o discurso cai por terra e o ditado popular “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” fica estampado (e em Braille) na cara de todo mundo.

Mais preocupante ainda é quando essa manifestação deseja colocar o interesse individual acima do coletivo. Enquanto isso ocorrer, a luta não terá forças para estabelecer uma cultura (que é mais eficaz do que políticas públicas e legislações punitivas) da inclusão plena das pessoas com deficiência.

É claro que não do dia para a noite que essa cultura será implantada, historicamente, isso só deve ocorrer com o passar das gerações. Contudo, se a semente não for plantada e regada desde agora, muito tempo mais vai se levar para incluir.

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