Malacabado: o livro de um jornalista sobre rodas

Capa Malacabado
Capa Malacabado

Como escrevi na página sobre o Reflexão Sobre Rodas, minha principal influência para contar histórias de pessoas com algum tipo de deficiência é o jornalista Jairo Marques.

Ele é o grande responsável por “bater o bumbo da inclusão”, como ele mesmo diz, no Assim como você no portal da Folha de S.Paulo. Além do blog, ele é repórter e colunista de cotidiano no jornal impresso.

Jairo, que é cadeirante, se deu um novo desafio no ano passado: publicar um livro, o “Malacabado”. O nome se refere à forma bem humorada que ele chama quem tem algum tipo de deficiência em seus espaços.

Com uma leitura fácil e divertida, o “Malacabado” conta a historia do jornalista, que nasceu em Três Lagoas (MS). Depois de contrair poliomielite, passou a conviver com a paralisia infantil e ver a vida sobre rodas (nem sempre propriamente de uma cadeira). O livro vai ampliar a percepção de si mesmo e forma de conduzir a vida.

Quando li o livro, o que mais me chamou atenção foi a narração fraca e sem rodeios, com muita descrição da realidade de quem leva a vida sobre rodas. A publicação é mais um marco para a pessoa com deficiência no Brasil. Para o jornalista, o “Malacabado” é mais um instrumento para divulgar publicamente da realidade dessa parcela da população.

“O livro se soma ao meu trabalho no blog, nas colunas, nas redes sociais. O livro também consolida não só minha trajetória de vida, mas um estilo, uma forma de ver o mundo”, comenta .

Em tempos de uma enxurrada de livros digitais, Jairo destaca a importância do livro físico. “O impresso ainda tem um poder de sedução enorme: o cheiro, o tatear as páginas, o marcar as ideias que você gostou com um lápis, dobrar a ponta, como marcação, de algum capítulo”, descreve.

Para a inclusão das pessoas com deficiência, o “Malacabado” se mostrou um divisor de águas. Ele traz uma forma ver o mundo e encarar a vida e com toda a diversidade existente no entendimento da própria condição.

Ele considera que a obra é uma forma robusta de mostrar uma vida possível diante uma adversidade marcante. “Tentei com muito afinco construir uma narrativa sem estigmas tão presentes nas famigeradas obras de superação, de heróis de coisa nenhuma, de melodramas particulares”, revela.

Um jornalista “malacabado”: Todos perdemos a intensidade porque hoje há mais gente falando sobre deficiência

Jairo Marques: um jornalista malacabado
Jairo Marques: um jornalista malacabado

Para encerrar a conversa com o Reflexão Sobre Rodas, Jairo Marques comenta o momento atual dos espaços dedicados à discussão da pessoa com deficiência. Para ele, todos perdemos a intensidade porque hoje há mais gente falando sobre deficiência, sobre inclusão e sobre acessibilidade.

“Chegamos ao requinte de haver, por exemplo, páginas que discutem sexualidade da mulher com deficiência, o que é maravilhoso. Antes, uma enorme gama de informação e de abordagens ficava nas asas de um ou outro veículo. Hoje isso não é necessário”, comenta.

E o jornalista conclui: “questiono bastante a qualidade de algumas publicações, mas a maturidade pode melhorar isso”. (Espero estar um pouquinho mais maduro do que oito anos atrás rs.)

Ah, livro está à venda na Livraria da Folha e nas melhores casas do ramo.

4 comentários sobre “Malacabado: o livro de um jornalista sobre rodas

Deixe um comentário