Como era a escola para um aluno com deficiência nos anos 90?

Imagem de divulgação
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De certa forma, posso dizer que sou dos “desbravadores dos 7 mares” e já conto o porquê. Entrei na pré-escola em 1990, no ano seguinte da primeira lei brasileira que tratou especificamente da integração das pessoas portadoras de deficiência, como o segmento era chamado na época.

Minha mãe, sempre lutadora que é, foi me matricular em escola famosa na região norte de São José dos Campos.  Tudo estava certo para ela, até meu uniforminho vermelho já estava comprado, quando a diretora a chamou para conversar e disse: “Acreditamos que seu filho não vai se adaptar aqui, pois é uma escola bem grande”.

A dona Célia, que sempre foi ótima em entender nas entrelinhas, foi bem direta: “Agora quem não quer essa escola sou eu”. A atitude da minha mãe foi uma resposta emocionada a uma situação bastante comum para a época. Ela acabou me matriculando numa outra bem menor, onde estudei por um ano.

Isso já era tipificado como um tipo de crime na famigerada legislação, mas quem iria processar uma escola pública por discriminar uma criança com deficiência em 1990, quando tudo ainda era na base da teoria?

Na época, a lei que entrava em vigou criava as “escolas especiais”. Nelas, se reuniriam alunos com deficiências semelhantes com o argumento de que o ritmo de aprendizagem seria similar, além de prometerem infraestrutura adequada para atendê-los, principalmente aqueles que precisassem de mais cuidados.

Não preciso nem dizer que a parada era bem  desagregadora. Fui parar nesse modelo em 1991, ainda no ensino infantil. Ao chegar à primeira série, tivemos mais uma surpresa, ela iria durar dois anos. Isso mesmo, o conteúdo de um semestre letivo seria ensinado em um ano.

Felizmente, esse conceito foi aplicado somente no tempo que eu estava na primeira série. Se isso não acontecesse, eu iria terminar a faculdade em 2021, sem sequer repetir um ano ou pegar alguma DP . Imaginem que legal. Vocês nem estariam me lendo agora.

Depois de todo ano ter que mudar de escola a cada vez que eu avançava no estudo, me tornei o único aluno a ir cursar a quarta série em 1996. Por esse motivo, fui compulsoriamente integrado a uma sala normal.  De acordo com as regras, essa mudança só ocorreria a partir da quinta série.

Para facilitar a minha integração, permaneci na escola que eu já estudava, pois poderia ter o auxílio da cuidadora da sala especial. Mas a partir daquele ano, tudo é um capitulo à parte e merece outro post.

Os termos em itálicos eram os utilizados na época dos acontecimentos.

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