Como era a escola para um aluno com deficiência nos anos 90? Ep. 3

Um dos marcos da minha vida social e escolar foi começar perto de casa em 1997. Mas antes desse momento importante se realizar, minha mãe teve que entrar mais uma vez em ação.

De acordo com o conselho de classe, a escola não teria condições de manter um aluno com deficiência por lá, uma situação bem parecida de sete anos, mas ela encontrou uma pessoa de alta influência na secretaria de educação e tudo mudou de uma hora para a outra.

Desde que soube que eu ia estudar perto de casa, a alegria deste que vos escreve era enorme. A expectativa de estar na mesma sala de aula que os meus amigos da rua e do bairro. A partir dali, eu não precisaria mais andar horas de Kombi pela cidade.

Foi nesse momento também que distanciei drasticamente de colegas com deficiência e a sensação de que eu era igual aos demais crescia bastante.  Tive que aprender a lidar com notoriedade que a cadeira de rodas passou a me dar.

Todo mundo passou a ouvir falar do aluno cadeirante que o pai subia de carro no estacionamento da escola. Como eu já disse no texto anterior, tudo ia depender de mim, para o lado bom e para o ruim.

Além de estudar, minha meta era fazer amizades e considero que fui muito bem recebido, tanto  que muitos amigos de hoje são os que carrego desde aquela época. Passei talvez os quatro melhores anos.

Como eu já não tinha das tais salas especiais, o negócio era eu me virar. Continuei emprestando, com menos frequência, cadernos dos amigos para copiar as matérias atrasadas, mas o pessoal colaborava e me esperava terminar de copiar quando ainda tinha tempo.

Apesar da escola ser em um morro, o prédio tinha dó um andar e eu rodava tranquilamente por todas as dependências. Só não usava o banheiro, pois, desde então, comecei a usar sonda e preferia fazer os procedimentos antes de sair e depois de chegar em casa.

Poxa, já estou no fim do meu padrão de texto e ainda tem tanta coisa para contar dessa fase, vou deixar para continuar outro dia, pessoal, beleza?

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