Como era a escola para um aluno com deficiência nos anos 90? Ep. 2

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A escola era a mesma, na região leste de São José dos Campos, os diretores eram os mesmos, a Kombi do transporte era igual e o motorista também, mas quando cheguei à quarta série tudo parecia diferente. Estar em uma sala de aula sem nenhum outro aluno com deficiência não era novidade.  Mas sentia como uma conquista estar com esses novos colegas.

Em 1996, foi a primeira vez que tive aula com mais de uma professora. O ritmo de aprendizagem era completamente mais intenso em comparação com o que eu estava acostumado. Quase toda aula eu tinha que emprestar os cadernos de colegas para terminar de copiar as matérias em casa.

Eu não encontrava problemas em compreender o conteúdo e as explicações das professoras, mas minha má coordenação sempre deixava meu caderno sempre atrasado. Não responsabilizo as professoras e os colegas por isso.

Porém, creio que naquela época faltava bastante suporte ainda do ensino especial para que pudéssemos frequentar as aulas com mais qualidade, tudo dependia do esforço do aluno e não havia nada que equalizasse as condições de desempenho por conta da deficiência.

Não é querer que as outras pessoas fizessem meus deveres por mim, mas sempre me incomodou o fato de continuar estudando, por conta da minha deficiência, enquanto meus colegas que não tinham os mesmos problemas que eu, já faziam outras atividades, dentro ou fora da escola.

Embora fosse a mesma escola que abrigava as salas especiais, ela tinha alguns degraus nos acessos à sala que eu estudava e no lado do pátio que eu ficava. Meus amigos aprenderem na marra a subir a cadeira de rodas do século XIX que eu usava. Nem falo dos banheiros, pois era um local que eu pouco ia.

Mesmo assim, passei de ano sem nenhuma dificuldade e me considerava pronto para estudar enfim perto de casa. De tão especial que isso foi para mim, deixarei para contar em um próximo post.

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