A bactéria

A bactéria

bacteria-156869_640A principal mudança depois da cirurgia foi a alimentação. Responsável por fazer a absorção dos nutrientes, o meu intestino já não tem mais a mesma capacidade de fazer isso completamente.

Ainda na UTI, comecei a me alimentar de forma parenteral, onde as vitaminas, proteínas e outros nutrientes são envidados para o corpo por meio da veia. No meu caso, o acesso era pelo pescoço.

Depois de alguns dias sem ingerir nada pela boca, passei a poder a tomar chá e comer a bendita da gelatina. De verdade, almoçar e jantar a gelatinosa é até legal nas primeiras vezes, mas logo fica bastante enjoativo. Não via a hora, apesar  de tantos relógios, de comer algo com o gosto salgado.

Antes de sair do tratamento intensivo, fizeram várias coletas de material para ver se eu estava com algum tipo de bactéria dentro de mim.  Fui para o quarto com essas duas dietas, mas só de ter a TV para assistir, além de mexer no celular, eu já estava mais animado.

Logo no primeiro dia, o batalhão da família foi me visitar em peso, mas eu ainda meio lesado com os remédios e não consegui dar a devida atenção. Eu entendia bem o que eles falavam, porém meu tempo de reação tinha um atraso danado.

Mas uma pessoa com cadeira de rodas ou mobilidade reduzida dividir o quarto com outro paciente é um fato bastante complicado. Mesmo sem ficar muito tempo sentado nela, era necessário fazer um bocado de malabarismo para se fazer os procedimentos diários.

Depois de alguns dias, minha mãe conseguiu que eu fosse para um quarto sozinho para ver se tudo ficava mais tranquilo. Entretanto, essa mudança ganhou outro contorno quando saiu o resultado dos exames de infecção e descobriram que eu estava com uma bactéria hospitalar e precisava ficar em isolamento.

Como primeira providencia, os médicos resolveram tirar a alimentação parenteral, pois havia a grande possibilidade da infecção ter surgido dali. A partir daí, minha internação passou a ser dedicada a tratar esse bichinho dentro de mim e que me deu muito trabalho.

Uma febre enorme tomara conta de mim, até em um sábado pela manhã, comecei a passar mal, o corpo foi ficando todo duro e meu coração acelerou. Acionado o Código Amarelo do hospital, a equipe de plantão invadiu o quarto para saber o que acontecia comigo. Eu estava com crise bacteriana e voltei para UTI.

Com um antibiótico muito forte e fora do da padrão do hospital, fiquei mais três dias sob tratamento intensivo até reequilibrar principalmente as condições cardíacas.

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