Jogos Paralímpicos Rio 2016: uma experiência inesquecível

Selfie em frente a logomarca Rio 2016 no Riocentro
Selfie em frente a logomarca Rio 2016 no Riocentro

Publicação revisada em 1º de abril de 2017

Desde que eu soube que os Jogos Paralímpicos Rio 2016 seriam em setembro, decidi que faria de tudo para presenciar este momento único para mim e para o paradesporto brasileiro. Há um ano, já agendei as minhas férias do trabalho para o mês todo.

Depois de muito planejar, mudar, desistir, voltar a planejar e, enfim, me preparar para as necessidades, chegou o dia de ir assistir à Paralimpiada no Rio de Janeiro, cidade que ainda não conhecia.

Consegui, com um pouco de sorte, um hotel que ainda tinha um quarto adaptado disponível na região do Parque Olímpico da Barra. Era bem caro para os meus padrões, mas levando o lema na ponta da língua: “Nunca mais vou os Jogos Paralímpicos no Brasil”, tirei o escorpião do bolso.

Transporte público: o BRT

Foram comigo meus pais, Francisco e Célia, meu primo, Zé Luís, e a namorada dele, a Cibele. Como já tínhamos visto, fomos de BRT até o Parque Olímpico. Na nossa estreia naquele meio de transporte, entramos na porta aberta que encontramos.

Primeiro detalhe que notei foi o vão entre a estação e ônibus. “Sozinho eu não passo aqui de jeito nenhum.” Mas quando terminei o raciocínio, eu já tinha sido embarcado pelo pessoal. Colocamos a cadeira de rodas no meio do corredor (Favor, não fazer isso) e seguimos viagem agarrados em todos os pontos possíveis.

Parque Olímpico

Depois mais ou menos 30 minutos, chegamos ao local com um pouco de atraso para a sessão classificatória da natação. No caminho até o Estádio Aquático Olímpico os registos fotográficos rolaram soltos. Porém, deu tempo de acompanhar a bateria do xará Daniel Dias, que nadou naquele dia os 50m nado borboleta da classe S5, além de outros atletas que são mestres das piscinas.

Outro aspecto que mereceu atenção dentro do Parque Olímpico foi disposição dos voluntários. Todos dispostos a prestar a maior quantidade de informações possíveis, minimamente preparados para orientar os visitantes. Ficamos lá um pouco mais de quatro horas, mas eu ficaria uns quatro dias por lá.

Na viagem até o Rio Centro, descobri que havia uma porta especifica, devidamente identificada, para entrar de cadeira de rodas. Mas que nem sempre tinha uma plataforma de conexão que abria facilmente para ser usada.

Quando compramos o ingresso para o vôlei sentado no Riocentro, não tínhamos ideia que teríamos de pegar condução para chegar ao local e por isso, saímos bem em cima da hora do jogo. Resultado: chegamos lá, a partida já havia terminado, mas aproveitamos para conhecer o espaço.

Também na ida ao Riocentro, me impressionou o volume de pessoas que se deslocava nos locais de competições. Isso foi corroborado pela organização dos jogos que confirmou a comercialização recorde de 170 mil entradas durante o último final de semana, a maior de toda a Rio 2016.

Numa das idas e vindas de BRT, observei nas estações que o piso tátil não possuía o devido contraste para melhor auxiliar os passageiros com baixa visão, nem mesmo as marcações de segurança. Erros que podem prejudicar muita gente.

A hospedagem: acessibilidade no banheiro

No hotel onde consegui um quarto adaptado, a principal preocupação que eu tinha era o banheiro, e ele era realmente adequado para entrar em manobrar a cadeira de rodas. A maior dificuldade foi para entrar no chuveiro, pois as barras de apoio estavam em cima do banco.

Isso tirava um espaço significativo da área do assento. Por isso, preferi, com a mestra ajuda do meu pai, me posicionar de lado no banco.

Era bastante perceptível que aquele quarto era bem pouco utilizado. Ele possuía aspectos que se tivesse hóspedes constantemente, não iriam existir. O quarto estava sem frigobar e telefone, problema na descarga, além de falhas nas paredes. Aspectos que, pelo padrão do hotel, não haveria.

Transporte público: o trem de Madureira

Escolhemos o Estádio Olímpico Nilton Santos para encerrar nossa ida aos Jogos Paralímpicos. A intenção era sair do hotel, assistir ao atletismo e pegar o rumo de São José. Mas como devem imaginar, tivemos que ir de BRT e trem e assim, nos atrasamos mais uma vez. A viagem, apesar de ser em uma linha expressa, era longa.

Na conexão com o trem, ainda encontramos elevadores que estavam desligados, o que aumentou o tempo de locomoção e consequentemente de atraso. Sem contar que a linha que pegamos demorou a chegar à Estação Madureira. Conseguimos curtir algumas provas, mas valeu demais a experiência.

No terminal Alvorada, fui tirar água do joelho e só tinha um banheiro acessível disponível, o primeiro que achei estava completamente fechado.

Em resumo, estar nos Jogos Paralímpicos Rio 2016 foi muito além de acompanhar competições de altíssimo nível entre atletas com deficiência. A experiência de locomoção e de estadia é de digno registro por mim que nunca vou esquecer.

Assim, só tenho a agradecer aos companheiros desse desafio. Muito obrigado, pai, mãe, Zé e Ci.

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