Quando comecei a me dedicar a escrever sobre pessoas com deficiência, juro que não sabia muito sobre assunto. Ainda vivia em um mundo em que, na maioria das vezes, só eu tinha problema, ou então que o problema dos outros eram somente deles.

Porém, esses paradigmas foram se derrubando feitos dominós encarrilhados. Um desses principais momentos foi quando conheci duas pessoas. Uma com deficiência visual e outra auditiva. Ambas, conheci através de um blog sobre o tema em um portal de um grande jornal de São Paulo.

Jucilene é cega, superativa, foi a primeira pessoa que vi com cão-guia. Não me lembro bem porque e como, mas começamos a conversar pelo finado MSN e uma das primeiras perguntas ignorantes que fiz foi como, sendo cega, ela conseguia mexer no computador e conversar por mensagens instantâneas. Ela me deu um sonoro “KKKKKKKKK” e depois me explicou. Falou dos aplicativos que leem telas e tudo mais.

Com Lak, que era praticamente surda na época, foi um pouco diferente. Foi ela que me apresentou as teorias dos surdos oralizados e do implante coclear. Porém, pela internet, não conseguia encaixá-la em qualquer padrão de deficiência, até o dia que eu quis um favor telefônico dela e ela disse que teria dificuldades em me ajudar.

Nós três, cada um com sua dificuldade completamente distinta, relacionamo-nos muito bem, mas para isso foi necessário que tentássemos entender, ao menos um pouco, sobre a deficiência do outro e de alguma forma, engajássemos na luta do outro.

Entretanto, este não é dos desafios mais simples. Durante esses seis anos, descobri que se não houver união e o mínimo de entendimento entre as pessoas das diferentes deficiências, não conseguiremos nenhuma mudança real de comportamento da sociedade.

Enquanto as deficiências buscarem seus próprios reconhecimentos em detrimento das demais, não teremos muitos avanços. Porém, é isso que mostra por aí ainda hoje.

Até a próxima semana.