Falta rampa, mas também falta “pensamento acessível”

Assim que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou os dados preliminares relativo às pessoas com deficiência no Brasil, em novembro do ano passado, escrevi um artigo afirmando que o grade desafio do país era promover a acessibilidade nos próximos anos.

Na semana passada, o IBGE revelou mais um dado que sustenta aqueles argumentos. Apenas 4,7% das calçadas possuem acessibilidade. Entretanto, o mais alarmante é quando se verifica quais foram os locais levantados para se chegar a esse número.

O levantamento diz respeito apenas a vias que estão ao entorno das residências que se têm pessoas com deficiência que andam de cadeira de rodas. Cabe relembrar também que a pesquisa sobre a deficiência foi feita por amostragem e não pelo número real de pessoas.

Ao ver este novo aspecto do levantamento do Censo 2010, pode-se acreditar que este valor é menor ainda se fosse feito como deveria. Um desses aspectos foi abordado por Jairo Marques, em seu blog, Assim como você, na Folha.com.

Como a pesquisa do IBGE analisou apenas os locais próximos às casas das pessoas com deficiência física, fica equivocado afirmar que os que todos os lugares são acessíveis ou não.

No post de abertura do Guia Inclusivo, feito por Rodrigo Almeida, deixamos bem claro que acessibilidade não serve apenas para quem anda de cadeira de rodas ou possui outra deficiência. O conceito de acessibilidade tem que ser aplicado para todas as pessoas e todos os lugares.

Enquanto se pensar em acessibilidade apenas para as pessoas com deficiência, limita-se a promoção do acesso para todas as pessoas e pode abrir precedentes para aqueles que dizem: “Mas aqui não vêm cadeirantes…”.

Mas não são apenas cadeirantes que usam rampas, ou locais planos. Idosos, gestantes, carrinhos de bebê ou mesmo alguém que possui plena mobilidade podem usar sem problemas. Esses recursos devem servir para toda a população que necessitam ou não deles. Assim, não importa quem frequenta o ambiente, não haverá barreiras para ninguém

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