A identidade da deficiência

Como já citei aqui algumas vezes, tenho deficiência física desde criança e tive minha cadeira de rodas aos sete anos. Nessas duas décadas “sobre rodas”,hoje estou com 27, quase todas as minhas conquistas e “não-conquistas” tiveram alguma relação com minha deficiência.

Ela também me deu uma “identidade”, principalmente quando eu estudei em escolas e na faculdade em que eu era o único cadeirante. Não era raro ouvir: “ah, aquele menino da cadeira de rodas!”.

Nunca tive problemas em conviver com esta “identidade”, até porque ela nunca foi mentirosa. Eu mesmo usei e uso, de vez em quando, para que as pessoas saibam rapidamente quem sou eu, para determinada situação. Assim, como há quatro anos, também me identifico como jornalista.

Sei que muitas pessoas têm dificuldades de lidar com essa identidade, principalmente nos casos em que ela surge de uma hora para outra e de forma bastante complicada, em um acidente, por exemplo.

Certa vez, escrevi, aqui no Guia Inclusivo mesmo, sobre a importância de a pessoa aceitar sua própria deficiência e os benefícios que isso pode trazer para ela. A “identidade” tem tudo a ver com isso.

Entretanto, como também já disse em outro artigo, a deficiência não pode ser tratada como a principal identidade de uma pessoa. Ela pode ser apenas um desses elementos, mas que deve estar depois de seu próprio nome, sua profissão e outros tipos de relações sociais.

Um ser humano é dotado de várias identidades, repito, de acordo com a relação social e elas são válidas desde que sejam bem aceitas pela pessoa “identificada”.

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