Universidade nada contra a maré

Mulher usando beca preta, com detalhes da borda e cinto em vermelho. Ela tem cabelos loiros e sorri, demonstrando expressão de alegria. Está com o rosto levemente inclinado para o alto e segura o canudo do diploma na mão direita erguida.
O principal elo entre os três autores do Guia Inclusivo é o fato de termos feito nossos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) voltados para a inclusão das pessoas com deficiência.

Em 2007, fiz uma grande reportagem impressa sobre o transporte adaptado existente aqui São José dos Campos na época. Tancy Costa escreveu o livro “Em busca de um sentido”, em 2009, que conta histórias de vários deficientes. Rodrigo apresentou o blog “Rodas antenadas”, no ano seguinte, como seu TCC, que tratava da mesma temática.

Cada com teve seus fatores de motivação. Rodrigo e eu por termos deficiência, Tancy escolheu o tema quando passou a conviver com pessoas com deficiência.

Estes são apenas alguns dos muitos exemplos de trabalhos acadêmicos sobre inclusão que se faz pelo país afora. Entretanto, nos últimos dias, surgiu um caso que vai contra essa maré.

De acordo com jornalista Rafael Bonfim, do blog “Inclusilhado“, da Gazeta do Povo, de Curitiba, uma aluna do curso de Administração teve seu tema rejeitado pela universidade, pois o projeto sugeria a criação de um bar completamente preparado para receber pessoas com qualquer tipo de deficiência.

Segundo o blog, o projeto foi barrado com os seguintes argumentos:

  • O empreendimento não teria mercado. Pessoas com deficiência não frequentam casas noturnas, bares e afins.
  • As pessoas com deficiência não dispõem de recursos financeiros para usufruir desse serviço.
  • As pessoas sem deficiência se sentiriam desconfortáveis em um estabelecimento voltado para deficientes.

Com todo respeito que tenho aos professores de universidade, quem usaria tais argumentos para justificar uma recusa acadêmica? Não existe nenhum fundamento teórico nisso, muito pelo contrário. A legislação brasileira obriga que se respeitem as normas de acessibilidade especificadas na NBR 9050/2005, da ABNT (que normatiza também os trabalhos  que as faculdades exigem tanto).

Desde que me formei, tive a oportunidade de acompanhar muitos trabalhos que tratavam de acessibilidade em diversos segmentos, sobretudo, no mercado de trabalho e no entretenimento. Todos buscavam que a pessoa com deficiência participasse ativamente da sociedade. Agora pergunto: universidade não é o lugar de se discutir a pluralidade de ideias?

1 comentário sobre “Universidade nada contra a maré

  1. Como é complicado quem deveria dar apoio a esse tipo de pesquisa, fica so dificultanto mais e mais, com algum tipo de preconceito, é mais quem sabe um dia eles precisam…e sentirão na pele o que os deficiênte sentem.

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