De “paraolímpico” a “paralímpico”


Marca dos jogos Paralímpicos 2016: Linha tridimensional, nas cores Amarelo, vermelho e laranja

Durante reportagens e artigos esportivos, aqui do Guia Inclusivo, do final do ano passado para cá, os leitores podem ter notado uma sutil diferença no uso do termo “paraolímpico”. Em vez dele, agora utilizamos a expressão “paralímpico” e suas derivações.

Esta mudança ocorreu a partir do momento em que o Comitê Paralímpico Brasileiro, agora sem o “O”, atendeu uma recomendação do Comitê Paralímpico Internacional para alterar e padronizar a nomenclatura.

O blog procurou o comitê para comentar a mudança, mas, até o momento, não obteve retorno. Oficialmente, ela vale desde novembro do ano passado, quando foi anunciada a marca dos Jogos Paralímpicos Rio 2016.

De acordo com o site esportivo Lancenet, em reportagem veiculada à época, o diretor de comunicação e marketing da instituição máxima do paradesporto nacional, Frederico Motta, disse que a mudança ainda está no começo, deve ser gradual e encarada com naturalidade. Ainda segundo ele, o Brasil era o único país de língua portuguesa que não havia se atualizado neste sentido.

Assimilação de uma nova nomenclatura


A ortografia sofre várias readequações com o passar do tempo e essas mudanças oficiais costumam demorar a serem assimiladas. Em um artigo, a consultora pedagógica e docente de cursos de formação continuada para professores na área de língua, Alfredina Nery, explica quais são os fatores que levam a tais mudanças.

“A ortografia é uma convenção social. Estudiosos definem, de tempos em tempos, a melhor maneira de escrever as palavras – de acordo com objetivos diversos, como o de unificar a maneira de diferentes povos escrever ou para tornar a escrita mais lógica”, afirma.

Particularmente, ainda tenho dificuldade em, por exemplo, lembrar-me de algumas das novas regras do novo acordo ortográfico, utilizado no Brasil desde 2009, principalmente com relação ao hífen. Mas é preciso se acostumar.

Os dicionários agregam novas palavras e significados de acordo com sua frequência de uso. Um dos casos mais recentes é a aceitação dos verbos blogar e tuitar, que sugiram na internet há alguns anos.

Para o publicitário Matheus Nerosky, a mídia tem papel fundamental para a difusão de uma nova expressão. “Se ela adotar, as outras pessoas também seguirão”, diz.

Para vocês, será fácil a aceitação de “Paralímpico” ou ainda soará mal aos seus ouvidos e olhos?

Assistam ao vídeo, com audiodescrição, do lançamento da marca Paralímpica Rio 2016 e vocês poderão se familiarizar mais com o novo nome.

10 comentários sobre “De “paraolímpico” a “paralímpico”

  1. “Paralímpico” simplesmente não tem o menor sentido no português, não existe. A não ser que exista uma palavra “Límpiada” e eu desconheça a mesma…

  2. Acho um desrespeito para com os atletas e com uma entidade ainda maior, nossa língua portuguesa. O evento e a atividade são olímpicos, e não “límpicos”. Minha indignação é que querem manter segregados esses herois do esporte limitando (suprimindo) parte de uma palavra para defini-los e a seu evento esportivo. A história da Humanidade nos mostra o Olimpo, e foi daí que surgiu o esporte olímpico, com o mais alto grau de desempenho que um atleta pode almejar. Por favor, respeito a esses herois (para) olímpicos.

  3. Entendo que devíamos prestigiar a Língua Portuguesa e não aceitar todos os estrangeirismos que aparecem….
    Infelizmente no Brasil só o que é de fora é certo.

  4. Mas é errado “paraolímpico” e “Paraolimpíada”? É que sou revisora de textos e deixei conforme aparece em dicionários e no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

  5. Substituir o termo paraolímpico, por “paralímpico” é simplesmente submeter-se de forma subserviente a uma ingerência externa sobre uma forma estabelecida em nosso idioma. É ignorar a formação de palavras conforme a estrutura da língua portuguesa. É ignorar o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da Academia Brasileira de Letras (ABL) em nome de uma razão mercadológica. Ridículo.
    Se os órgãos oficiais do desporto PARAOLÍMPICO se curvam a essa patética mudança, isso não significa que os meios de comunicação devam ser obrigados a segui-los, pois a autoridade daquelas organizações não lhes dá a prerrogativa de legislar sobre a língua.
    O VOLP só registra paraolimpíada s.f. e paraolímpico adj.
    Quem tiver curiosidade pode consultar o portal da ABL (http://www.academia.org.br), clicar na aba “VOLP” e conferir.
    Há também um texto interessante sobre a questão, de um ponto de vista lusitano: Paraolímpico (e não “paralímpico”, nem “para-olímpico), de Margarita Correia (http://www.ciberduvidas.com/idioma.php?rid=1929)

  6. Não entendi o objetivo da mudança, vai ver que nem existe. Essa mudança da língua portuguesa foi pra facilitar, mas virou uma confusão. Com o sem o O, temos mesmo é que prestigiar nossas atletas nas paralímpicas

    • Adilson, a alteração é institucional. Na pesquisa que fiz, é para se alinhar aos demais idiomas que utilizam o termo se o “O”. Acredito que tenha grande interferência do inglês. Não encontrei nenhuma explicação etimológica, nem morfológica para a retirada da vogal quando se agrega o “para”. Suponho, repito, apenas suponho, que possa haver interesses políticos por trás disso. Afinal, o Brasil é o principal cenário esportivo da década e em contrapartida precisa fazer estas pequenas concessões administrativas. Mas repito, é apenas e tão somente uma suposição.

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