O mais do mesmo da inclusão

Descrição: Jornais ao fundo em tons de azul. Um microfone à esquerda, seguido de "Opinião", em laranja. Em baixo, a marca do Guia Inclusivo.

Dia desses, estava garimpando um assunto para o blog e comecei a observar fatos que me deixaram bastante preocupado, como jornalista deste segmento social da pessoa com deficiência. A dependência que muitos sites e blogs têm das notícias oficiais e assuntos que há muito tempo já são discutidos, e que, de alguma forma, precisam ser superados. Os dois juntos geram um enorme “mais do mesmo”(*) da inclusão.

Propostas legislativas, seminários governamentais, ações corporativas e feiras estão entre os temas campeões de publicações destes espaços.

Esses assuntos são interessantes sim, mas publicar release de uma assessoria de imprensa ou copiar, mesmo citando a origem, a meu ver, é muito cômodo. É preciso levar algo diferente, mesmo que se trate deles.

No monitoramento que faço pelo Twitter sobre “acessibilidade”, é absurda a quantidade de espaços que replicam uma “notícia”, sem ao menos trazer uma nova informação, um novo aspecto. Fica tudo igual.

Enquanto esta dependência de fontes oficiais predominar, a inclusão corre sério risco de ficar deficiente (com o perdão do trocadilho), pois sempre dependerá de quem está no poder, público ou privado, para que algo relevante aconteça.

Assim, permite-se que essas transformações ocorram de acordo com os interesses deles e não de quem realmente precisa, por ter deficiência ou  parentes.

Será que este conteúdo atinge realmente as expectativas dos leitores? É isso que eles vão ao Google procurar?

Um dos assuntos mais procurados do blog até hoje, segundo nossas estatísticas, é sobre o desenvolvimento de órteses e próteses, que a Tancy e o Rodrigo fizeram lá nos primórdios do blog. Não tem nada de material oficial nele.

Noto também uma excessiva busca por conteúdos que foram massivamente destrinchados ao longo do tempo e que precisam ser aprimorados. Passar de fase nesse joguinho. Talvez possam responder a perguntas semelhantes, mas de forma mais específica.

Sei que nem todos estes espaços são feitos por jornalistas e a intenção é apenas repassar a informação, mas deixam de ter atrativos depois de algum tempo.

Não sei se realmente minhas opiniões convergem por completo com os meus colegas de blog, mas elas são frutos de um sentimento de que pode ser feito mais, no que se diz respeito à “comunicação inclusiva”.

Proponho este debate aqui. Quem pensa diferente, por favor, manifeste-se.

(*) Título de uma música da Legião Urbana

10 comentários sobre “O mais do mesmo da inclusão

  1. De certa forma concordo com parte do seu texto mais não acho que compartilhar conteúdo de outras fontes não contribui na qualidade da discussão na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, muito pelo contrario, quanto mais compartilhamos maior é a possibilidade de todos terem acesso ao material e além disso nem todos os Blogueiros tem tempo, talento ou estudou para escrever e a sua forma de contribuir com o seguimento é compartilhando ou reproduzindo material dos outros.
    Eu por exemplo não tenho o dom que me permita produzir conteúdos interessantes com uma frequência razoável e isso não pode me impedir de estar utilizando as redes e outras ferramentas disponíveis na net, por outro lado gosto de ler o que as pessoas que tem facilidade de escrever escrevem mais o que sinto e que nem todos realmente tem o que dizer e se for pra escrever só por escrever eu prefiro compartilhar.

    • Excelente contribuição, Wanderley! Não falo que não é legal compartilhar. O que me incomoda é o uso excessivo, no jargão da comunicação, “clipagem” de conteúdos oficiais, como se aquilo fosse importante pro segmento. Você sabe bem que não é assim que deveria funcionar. Os meios a que me refiro têm muito potencial para produzir material próprio. Obrigado por levar essa discussão a seu blog também! Abraços

  2. Super concordo com vc, Luis. E tem mais, muitas vezes não se sabe o que as pessoas querem saber em relação à deficiência, pelos tabus que cercam alguns assuntos. Aí, alguns preconceitos velados continuam se multiplicando, umas informações incompletas, ou que só abrangem certos tipos de deficiência vão se formando como verdades absolutas e universais e o que era pra informar, só deixa uma série de gente “meio” informada sobre algo que deveria ser de conhecimento de todos, com ou sem deficiência.

  3. se formos ver como a acessibilidade começou no mundo, não como tese e sim como ação, tudo começou com um tetraplegico, que revolucionou o mundo com suas ideias e transformações, ele ousou e os ditos normais, confiaram nessas ideias,………!!!!!!!!!

  4. eu vejo que o consumidor final que é o deficiente, não é consultado, tudo já vem pronto, os profissionais tanto da area medica, vendas, educacional não são deficientes e dão suas teses como normais……..se esses profissionais fossem deficientes e tivessem o previlegio de encabeçar pesquisas, artigos, escolas, empresas, etc… os blog falariam outra linguagem, ………………seriam funcionais….!!!!! e não haveria corupção no governo como vemos hoje em dia!!!!!!!!!!!!!

  5. “Assim, permite-se que essas transformações ocorram de acordo com os interesses deles e não de quem realmente precisa, por ter deficiência ou parentes.”

    Essa frase me incomodou positivamente no seu texto. Passei por isso apurando uma pauta há dois dias. Estão todos muito parados, conformados com a situação. Como as pessoas com deficiência não se mexem, os jornalistas não veem pq se mexerem tbem. Isso vira um círculo vicioso e está cada vez mais difícil de quebrá-lo

    • Adilson, é aquela velha teoria combatida pelos socialistas e aplicada pelos socialdemocratas e capitalistas. Poucos estão no poder, mandam, muitos não. Infelizmente é assim que se explica… Numa teoria de ensino fundamental de escola pública. Não sei se você tem a mesma visão.

  6. Concordo com sua postagem. O que lemos e o que vemos é uma díspare imensa. Trabalho há muitas décadas com pessoas com deficiências físicas graves, e para mim, estamos a passos de tartaruga. Sei que sou apressada, mas não aguento mais ouvir relatos absurdos, e agora, dei para chorar (tenho que sair da sala de atendimento e ir para outro lugar), acho que choro de raiva! Diferente do choro dos políticos de comoção (pode ser também vergonha!). E como sua uma combatente nata, tenho é claro, vergonha do meu choro. E já não sei mais o que fazer, claro incentivo às famiias a irem à luta, mas não vejo elas propensas a isso. Ontem mesmo, para lutar contra uma negativa do meu plano de saúde, levei 3 horas no telefone, e mais duas horas com a ANS. Lutar por direitos inequívocos é um contrasenso enorme. E sim os jornalistas da comunicação inclusiva, não deveriam aplaudir o que existe, e sim continuar divulgando o quanto não existe. Abraço Gisleine T.O

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