Ingressos gratuitos para a Copa é bom ou ruim?

O deputado federal Romário e o membro do conselho de administração do Comitê Organizador da Copa, Ronaldo, anunciam que a CBF distribuirá ingressos para deficientes no Mundial de 2014

(Atualizado às 11:29,  dia 13 de janeiro)

Na sexta-feira, antes do Natal, 23, foi anunciado pelo Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de futebol de 2014, a ser sediada aqui no Brasil, que 32 mil ingressos serão destinados às pessoas com deficiência gratuitamente, com direito a um acompanhante.

A iniciativa foi do deputado federal e ex-jogador de futebol, Romário (PSB-RJ), que havia se encontrado com o presidente do comitê, Ricardo Teixeira, e o ex-jogador Ronaldo, que também faz parte da organização do evento. De acordo com o site UOL Esportes, Romário fez o pedido diretamente aos dos e foi atendido logo em seguida.

No anúncio, não foram esclarecidos quais serão os critérios para a distribuição dos ingressos, nem mesmo se haverá algum tipo de avaliação socioeconômica.

Indo pela contramão

À primeira vista, a notícia parece ser muito boa, mas gostaria de fazer algumas observações que contrariam isso.

Diferentemente de outras categorias de exclusão social, a da pessoa com deficiência não se dá pela baixa condição econômica e sim pela falta de acessibilidade e desconhecimento da sociedade para como lidar com as limitações de cada um.

As deficiências atingem todas as classes sociais. Uma pessoa de alto poder aquisitivo pode sofrer um acidente de carro ou levar um tiro e ficar paraplégico para o resto da vida. Quem tem um baixo poder pode passar pela mesma situação e ter a mesma sequela.

É claro que, como já tratamos aqui no Guia Inclusivo, a desigualdade socioeconômica interfere no acesso a produtos  e serviços oferecidos às pessoas com deficiência. Por isso, a gratuidade tem que atender àqueles que não têm condições financeiras. Repito: a inclusão das pessoas com deficiência não se baseia apenas nisso.

Futebol, apesar de estar presente com força na cultura do brasileiro, não é direito fundamental previsto em lei, como saúde, educação, habitação segurança, emprego e o direito de ir e vir.

Caso o critério socioeconômico não seja levado em consideração deficientes ricos não gastarão um centavo para estar no estádio, apenas por se beneficiar pela regra, enquanto poderiam pagar pelo ingresso .

Em tempo: em uma reportagem da TV Bandeirantes, vinculada no site UOL, no dia 24, a repórter afirma que os beneficiados serão aqueles que recebem do programa Bolsa Família do Governo Federal.

Agora a pergunta é outra: quem recebe o Bolsa Família e não possui deficiência, como fica? Se alguém souber responder é só se manifestar.

Com a colaboração de Evandro Bonocchi.

Você concorda ou não? Façamos um debate.

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