Deficiência não é profissão

No fim do mês passado, assisti ao espetáculo “O tempo da flor”, da Oficina dos Menestréis, uma peça em que metade do grupo andava de cadeira de rodas. A apresentação ocorreu em São José dos Campos dentro das atividades da Virada Inclusiva na cidade.

Ao final do espetáculo, me chamou muito atenção a reação do público. Embora não fosse explicita, os comentários davam a entender que todos esperavam que a peça tratasse de temas relacionados a pessoas com deficiência e a proposta era bem diferente.

A pergunta que ficou foi: “Por que tudo que envolve pessoas com deficiência tem que ser assim?”. Entendo que estávamos próximos ao Dia Internacional da Pessoa com Deficiência e assim a procura para as discussões sobre a conscientização era maior.

Mas, não vejo conscientização mais significativa do que ator atuar numa peça de renome, engenheiro planejar um grande empreendimento, publicitário elaborar uma campanha de uma empresa reconhecida no mercado. Pra mim, isso é inclusão.

O público presente ali está com o discurso de conscientização mais do que decorado, porém, talvez não estivesse totalmente conscientizado.

Não renego o trabalho que fazemos aqui no Guia Inclusivo, nem o que fiz com o Reflexão sobre rodas nos últimos dois anos e meio, nem os outros trabalhos existentes. Todos são muito importantes.

Entretanto, repito, a inclusão só acontecerá plenamente quando os profissionais com deficiência exercerem suas competências não estiverem baseadas somente nesta condição.

2 comentários sobre “Deficiência não é profissão

Deixe um comentário