A deficiência da esmola

Ainda hoje, é possível encontrar, sobretudo nas grandes cidades, pessoas com deficiência pedindo esmola pelas ruas. A desigualdade social faz com que muitas delas se vejam obrigadas a isso.

Entretanto, também há situações que elas não querem dinheiro, não querem absolutamente nada. As outras pessoas insistem em oferecer uma moeda ou notas com a intenção de ajudar e o cadeirante ou cego, ou seus acompanhantes, se ofendem com o ato.

Certa vez, eu estava em uma festa na zona rural de São José dos Campos, quando sou surpreendido por um senhor que quer colocar algumas moedas dentro do boné que eu carregava. Meu pai, que empurrava a cadeira, logo já repreendeu o senhor, dizendo que eu não precisava daquele dinheiro. O homem ainda insistiu que só queria ajudar.

Eu, apesar de já ter 20 anos, fiquei meio sem saber como agir. Apesar de já ter visto isso acontecer,  eu sabia que não precisava daquilo, mas procurava entender a intenção daquele homem e toda sua simplicidade. No final das contas, conseguimos delibá-lo e não me deu o dinheiro.

No último ano da faculdade, enquanto fazia meu trabalho de conclusão de curso, encontrei um livro que dizia eu na Idade Média, uma das principais características relacionadas aos cuidados que as pessoas tinham com as pessoas com deficiência eram atos de caridade, sobretudo dos seguidores da Igreja Católica. Casas de acolhidas eram construídas para abrigar quem possuía alguma deficiência.

Trazendo isso para um contexto mais atual, pessoas que foram educadas décadas atrás, ou que não convivem com pessoas com deficiência terão a mesma atitude daquele senhor. Faz parte da cultura, principalmente do brasileiro, querer ajudar quem passa ou ele julga passar por algum tipo de necessidade.

Nesses casos, a melhor atitude é o diálogo, sempre que possível, explicar que não é necessário, pois a pessoa trabalha e tem condições de se manter com seu próprio esforço, como qualquer outro.

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