Conviver para compreender?

Sábado, eu parei para assistir a um episódio do seriado Glee, na TV Globo. Na trama, o professor precisava convencer a direção da escola a construir rampas no prédio, além de conseguir mais verba para a apresentação.

Para ilustrar seu argumento, o professor sugeriu que todos do grupo fizessem parte de suas atividades em uma cadeira de rodas para “sentir na pele” as dificuldades de se viver naquela condição. No mesmo momento, me lembrei de todas as vezes que vi pessoas sem deficiência fazendo o mesmo, e não foram poucas.

Então me perguntei se era necessário realmente que passe por  uma cadeira de rodas, vende seus olhos ou tampe os ouvidos para entender os problemas que enfrentam as pessoas com deficiência?

Na reunião em que decidimos as pautas que serão tratadas no blog nesta semana, a Tancy disse que só foi ter consciência dos problemas de acessibilidade quando começou a ver as dificuldades que o Rodrigo passava na faculdade.

A namorada do meu irmão, que estuda Administração, precisava fazer um projeto de uma academia para um trabalho da faculdade. Um dos aspectos que ela fez questão de mencionar foi a acessibilidade total dentro no custo da obra. O professor a parabenizou, pois disse que poucos colocam o item acessibilidade em seus planos administrativos e que isso seria um grande diferencial para seu projeto.

Ela disse ao professor que a convivência constante com um cadeirante, no caso eu, e um parente com deficiências múltiplas, por sequela de uma síndrome pós-pólio, a fez ter percepções que sente que a maioria das pessoas não tem.

Ter contato com pessoas com deficiência foi fundamental para os exemplos citados compreendessem a importância dos temas que envolvem a inclusão. Mas será que terá de ser sempre assim ou há outra solução?      

Quando você começou a perceber as dificuldades de uma pessoa com deficiência?

4 comentários sobre “Conviver para compreender?

  1. E ae Luis, tudo bom?
    Artigo muito bom e uma questão muito pertinente.

    Eu, como designer, vejo um ponto importante nessa experiência de se colocar na situação do cadeirante. A percepção da dificuldade se torna muito intensa e relevante, enxergar os problemas e dificuldades pelo ponto de vista do cadeirante gera um significado e descobertas muito mais significativas na hora de desenvolver uma solução.

    Por outro lado só a percepção de convivência já é algo importante. Porém ambas as situações não incluem os valores psicológicos.

    Estamos na faculdade fazendo um trabalho esse semestre que busca misturar 2 cursos (arquitetura e design) com o objetivo de criar algo que envolva a deficiência e inclusão social. E agora no começo tivemos uma grande dificuldade de começar a pensar sem pré conceito. As vezes o que achamos que seria necessário para alguém com deficiência demonstra uma visão preconceituosa e não uma solução eficiente.

    Bom, novamente gostei muito do post.

    Parabéns e abraço,

  2. Gostei do texto e do questionamento. Realmente, a convivência foi um grande motivador a percepção sobre questões de acessibilidade. Não consigo pensar numa forma diferente das pessoas entenderem essas necessidades se não conviverem com alguém que necessite. Por isso considero de extrema importância que as pessoas com deficiência saiam de casa, passeiem, vão a shows. Por mais que a primeira vista pareça algo desconfortável é uma forma das pessoas observarem e entenderem o porque isso é tão importante.
    🙂
    (Desculpe-me pelos erros de concordância ou digitação, mas foi o que veio assim, de supetão)

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