Andar pela rua, um perigo quase sempre necessário

Nesta semana, o site de notícias Nossa Jacareí flagrou um cadeirante trafegando no meio de uma das principais vias da cidade com sua cadeira motorizada. Na nota, a prefeitura, por meio da assessoria de comunicação, informou que este foi um caso isolado e que orientará os agentes de trânsito dizer para os cadeirantes andarem pela calçada.

Mas o Guia Inclusivo questiona: como andar pelas calçadas se elas não apresentam as mínimas condições de uso? Na foto cedida pelo site, é possível observar que as elas são bastante estreitas. É arriscado e contra as leis de trânsito andar pelo asfalto, tanto para quem está na cadeira de rodas, quanto para o pedestre. Entretanto, as elas costumem ser barreiras intransponíveis para um cadeirante.

As pessoas com deficiência visual também enfrentam o mesmo problema. Jucilene Braga, com seu cão-guia, Charlie, que mora em São Paulo, conta que certa vez estava saindo da casa do namorado e de repente ela notou que seu cão-guia a direcionava para perto do meio-fio e em seguida para a rua.

Ela diz ter ficado brava com o cachorro, pois achou que era distração dele. Porém, quando ela ouviu alguém dizer que era para ela ir com cuidado, pois o caminho estava interditado, entendeu que Charlie havia lhe tirado de um lugar perigoso.

“Fiquei indignada, pois aquela situação há algum tempo que permanecia. A obra continuava e nada da calçada ser reconstruída e tudo em nome de um luxo que fazia de nosso caminho um lixo. Se não fosse pela competência do meu cão e ajuda por parte de estranhos, certamente eu estaria em muito mais apuros”, conclui Jucilene.

O Guia Inclusivo não quer sugerir que as pessoas trafeguem pelas ruas com suas cadeiras de rodas, cães-guia ou bengalas e assim infringirem leis e corram riscos, mas quer mostrar para as autoridades que é necessário promover políticas de acessibilidade e campanhas de conscientização de que todos têm o direito de ir vir por espaços regularizados e seguros.

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