A falta de cultura da inclusão é o principal empecilho na contratação e não a baixa qualificação profissional, diz dirigente de RH

Entre os vários perfis no Twitter e páginas no Facebook de empresa, ONG’s que disponibilizam vagas de emprego para as pessoas com deficiência, algumas delas se destacam pelo relacionamento bem próximo com seus clientes ou seguidores. Além de divulgar as oportunidades de emprego, publicam artigos de especialistas em recrutamento ou inclusão.

Resolvi descobrir como elas enxergam a reação entre os empregadores, empregados e a legislação vigente. Como as empresas de recrutamento veem a dificuldade das pessoas com deficiência no mercado de trabalho?

O diretor da I.Social, especializada no segmento, Jaques Haber,acredita que é pela qualidade das oportunidades que são direcionadas aos profissionais com deficiência. “Na grande maioria são muito ruins, tanto em termos de salário quanto do tipo de cargo oferecido. A grande maioria das oportunidades dirigidas a pessoas com deficiência estão na base da pirâmide organizacional e ainda é normal ver profissionais com deficiência qualificados com dificuldades de inserção no mercado de trabalho formal”, afirma Haber.

De acordo com ele, poucas empresas optam por contratar pessoas com deficiência, mesmo quando há níveis de conhecimento e comportamentais semelhantes a quem não tem deficiência. As empresas que contratam, preferem aqueles que possuem o menor grau de deficiência possível para que não sejam exigidas condições de acessibilidade para o trabalho.

Paradigmas precisam ser quebrados

Jaques Haber atribui falto de comprometimento e preparo técnico, emocional e cultural aos gestores. Ele diz que é muito comum ver os departamentos de recursos humanos lutarem internamente com outros departamentos para  se contratar pessoas com deficiência. “É preciso que a bandeira da inclusão seja hasteada pela empresa como um todo e que a inclusão não seja apenas um projeto do RH”, comenta.

O diretor do I.Social sugere que se divulgue mais casos de sucessos profissionais para que as empresas contratantes tenham como exemplo de que é possível assumir esse desafio.

A falta de cultura da inclusão é o principal empecilho na contratação e não a baixa qualificação profissional como as empresas argumentam. Haber revela que 80% dos mais de 30 mil que o I.Social tem em seu banco de dados, possuem graduação acima do Ensino Médio e chega à pós-graduação. “Temos problema em encontrar oportunidades melhores para estes profissionais qualificados”, complementa.

A despreocupação com a acessibilidade para pessoas com deficiências mais severas é um dos grandes entraves para inclusão. “Ainda hoje vemos empresas inaugurando novos escritórios sem a preocupação com um ambiente pensado para todos, de acordo com os preceitos do Desenho Universal”,  Jaques Haber completa a entrevista.

6 comentários sobre “A falta de cultura da inclusão é o principal empecilho na contratação e não a baixa qualificação profissional, diz dirigente de RH

  1. Perfeita a abordagem desta materia pq só ouvimos que a não contratação se dá pela falta de qualificação, mas ao contrário, o que na verdade as empresas tem resistência é de mudar o layout de seus espaços com a acessibilidade e tb o preconceito qua ainda é muito forte, devido ao desconhecimento das pessoas. Resultado disso: temos sub empregos, exploração da nossa mão de obra!!!!

  2. Excelente post, Luis!
    Eu estou sentindo isso na pele, ultimamente. É ridículo a quantidade de vagas de baixa qualificação que eles oferecem, comparada a de com qualificação. Essa última é quase inexistente!

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